quinta-feira, 31 de julho de 2008

Ambições

Ela sempre se sentiu inferior às outras pessoas. Desde pequena soube qual é o gosto desse sentimento. A timidez era a sua outra companheira – também desde a infância. E sendo assim cresceu sem amigos. Como tantas outras crianças de sua época descobriu na caixa preta um ótimo passatempo e uma excelente companheira para todos os momentos. Tanto de dia quanto de noite. Ela, a televisão, nunca reclamou se tal menina falava rápido ou então se fazia muitas perguntas. Fora aquele aparelho que lhe revelou o mundo dos filmes e das estórias.

É sabido, também, que Luísa – esse era seu nome – não era fã dos livros, tinha preguiça de ler todas aquelas palavras pequeninas (a família não nutria o hábito de contar história a ela antes de dormir). Quando pegava um livro, a única coisa que gostava de fazer era ler a última palavra, da última linha, da última página. Esse tornou-se um de seus vícios.

A mãe e o irmão mais velho sempre falavam a ela como era bom ler. Porém, a menina gostava mesmo era da tal caixa preta. Acabou virando fã de séries, de desenhos animados e de diversos filmes. Seus preferidos eram os tais ‘baseados em fatos reais’. Sempre que assistia a um, ficava imaginando como seria a vida das personagens retratadas ali. Pensava por dias nas tais histórias dos filmes verídicos.

Apreciava muito ficar sozinha, pensando as coisas do deu modo, pensando em como foi que o mundo surgiu, o que veio primeiro. Quando teve um diário, primeira frase que escreveu foi: “quero ser famosa”. Seu sonho era que fizessem um filme sobre sua vida. Como aqueles que assistia quando ia dormir.